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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Carta à Anniely Mariah

Minha Pequena,

Daqui a não sei quantos anos, eu não sei como estarei. Portanto, como o tempo é um moço bem cruel, não quero correr o risco de esquecer de lhe dizer algumas coisas.

Desde já, então, teremos essas cartas que manterão as coisas importantes ou desimportantes que eu tenha pra lhe contar.

Como não é mais sequer novidade, gostaria de lhe dizer o quanto lhe amo. Não apenas pelo fato de você ser minha filha, e de ser linda, linda, linda e pequena, e por isso, inocente e faladora de algumas bobagens extremamente lindas. Mas porque você, além disso tudo, é um presente cotidiano e belo.

Sua mamãe não é lá a maior coisas desse mundo - digo para o mundo, obviamente - mas sempre que olha para seu sorriso, se sente realmente a pessoa mais abençoada do mundo inteiro. E então, a mamãe acaba sendo sim, a pessoa mais importante desse mundo porque tem você.

Dizem que não devemos gerar expectativas ao redor dos filhos, porque isso poderia frustrá-los. Assim, quero que sempre saiba que, no auge dos seus oito anos - e nesse período em que você adora comentar que tem só 8 anos e que seus colegas de classe são mais velhos e que você tem 8 anos mas já veste 10  ou 12 anos - que eu sou orgulhosa demais de você. Não me interesse, portanto, se você vai ser alta ou baixa, gorda ou magra, designer, engenheira ou pediatra (como você sempre disse que seria, desde que se entende por gente). O que me interessa, Sweet, é que você seja boa gente.

Quando eu digo boa gente, eu quero dizer isso mesmo: Boa Gente. Boa gente é aquele tipo de gente que, quando você encontra pela rua, sai andando e pensando: - Tão legal que ela é!
Boa gente é aquela pessoinha que conhecemos na faculdade e pensamos: - Poxa, que legal que ela é!
Boa gente dá risada alta, é companheira mesmo, mesmo na dificuldade, mesmo quando, juntando todo o dinheirinho da turma, só dá pra comprar ou o pastel ou o guaraná. Boa gente, meu amor, independe de dinheiro, posição social, roupa da moda ou carro do ano. Boa gente é o que se é.

Boa gente é o que eu desejo que você continue sendo, haja visto que desde já, desde que você empurrou o menino desconhecido que estava batendo na menina desconhecida ( que só depois descobrimos que eram irmãos) lá na praça, só pra defender a menininha, eu percebi e agradeci a Deus por você já ser boa gente.

Agora, veja só, Boa gente não é simplesmente boa gente, porque, na boa, vez em quando a gente, mesmo sendo bem legal, faz umas bobagens bem bobas. Não, não, calma aí, você continua sendo gente boa mesmo assim. Você só precisa agora voltar atrás, respirar fundo e pedir desculpas. 

No final das contas, de todo meu coração, eu desejo que você seja feliz. Feliz, gente boa, consciente. Que entenda que a vida tem umas coisas esquisitas. Por exemplo, nesse caminho grande que a gente trilha, vez em quando, a planície vira uma cordilheira que parece infinita.

É, filha, o caminho nem sempre é plano e florido. 

Quando você se perceber então numa cordilheira, lembre-se: Tudo tem dois lados.

E um desses lados vai ser escuro. E talvez triste. E um pouquinho solitário. Na próxima esquina, no entanto, tudo vira festa outra vez.

Quero que você lembre disso: A tristeza faz parte. A alegria faz parte. Assim, temos um caminho.

Não esqueça, pequena. Sempre terei um colo pra você; mesmo que você seja enorme e eu já encolhidinha pelo tempo. Meu colo é seu, meus ouvidos, meu coração. 

E é assim, meu bem. 
Não esqueça de rezar, não esqueça de estudar, não esqueça de se melhorar sempre.
Eu sempre estarei aqui, até mesmo quando não puder mais estar.

Te amo demais; nem dá pra escrever o tanto.

Beijos, sweet Annie!

Mamãe.

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